terça-feira, 20 de julho de 2010

Aventuras Sinistras de Sinistro #2 - Véio Fantasmão

ASS - Episódio 2!

Sinistro continua andando com a garota do ônibus até a porta da escola. Ela fala de como tiveram sorte de pegar esse ônibus vazio. Sinistro só dizia “sim”, “aham”, “eh”

Até que ela muda de assunto de repente.

- Qual seu nome?

- Eh... – eita, Sinistro, agora lascou

- Digo, o meu é Samara.

- Rômulo.

Sinistro Rômulo esperou tocar o sinal “conversando” com sua nova colega. Ele sabia que logo descobriria seu primeiro nome. A hora da chamada está chegando.

A primeira aula era de geografia, e a professora parecia simpática. Sinistro tomou coragem para pedir que ela o chamasse pelo segundo nome, pelo menos nos primeiros dias de aula.

- Eu vou lembrar, Sin... ops, Rômulo. – disse ela baixinho para o garoto que foi até a uma banca ao lado de Samara.

As outras pessoas na turma de Sinistro pareciam tão assustadas quanto ele com o primeiro dia de aula, haviam umas garotas risonhas que olhavam para ele... ele fingia que não via. Só poderiam querer tirar onda com ele.

- Ana Bela. – a professora começou a chamada… - Ana Vitória. - e assim por diante até... – Raissa... Roberto... Samara... Sinistro! – ela deu um olhar significativo para Sinistro... aquela diaba em forma de professora de maternal fez de propósito só pra criar falsas esperanças em Sinistro e tirar onda da cara dele.

- HAHAHAHAHAHAHAHAHA! – o povo da turma estava rindo, as garotas que tinham olhado para Sinistro mais ainda... inclusive Samara.

- Sinistro! – chamou a professora novamente. Sabendo que ele estava lá, claro, mas ela queria que ele dissesse “presente”

- Presente! – disse Sinistro morrendo de vergonha.

Coitado do Sinistro, passou a manhã toda agüentando as zoações de alguns dos colegas “valentões”. Mas para sua surpresa, Samara não deixou de falar com ele. Para ela não fazia diferença. Outro garoto parecido com ele também se juntou com Sinistro e Samara. Se chamava Osvaldo.

Assim formou-se o grupinho sinistro da turma: Sinistro, Osvaldo e Samara. Por coincidência, Osvaldo também morava perto de Sinistro, assim como Samara. Os três não se desgrudavam.

Mas, foi numa quarta-feira de lua cheia, a rua deserta, os três andarilhos vagavam pela noite como se não tivessem mãe e pai ou tarefa da escola para fazer... a rua muito calma e estranhamente sombria. Ouve-se um grito clichê de uma mulher, que vinha de um terreno baldio próximo a um bar fechado.

- Ouviram? – perguntou Sinistro. Samara fingiu que não, ela estava morrendo de medo de imediato.

- Eu ouvi. – disse Osvaldo, curioso. Arregalava os olhos para qualquer movimento... Para a infelicidade de Samara, Sinistro e Osvaldo adoram histórias de terror, e como duas crianças estúpidas loucas por uma aventura, eles seguiram para o terreno.

- Voltem aqui! – gritou Samara quando os dois se afastaram. Eles pediram para que ela se calasse. Ouviu-se mais um grito. Dessa vez de um homem.

Samara, para não ficar sozinha, acompanhou os dois projetos de gente.

- Eu não vejo ninguém. – disse Osvaldo desapontado. – Acho que foi alguma briga na casa vizinha. – ele queria ver sangue. Criança tola.

- É... vamos voltar. – disse Samara decidida. E quando viraram para trás deram de cara com um homem velho muito mal vestido, parecia um mendigo, extremamente pálido, quase morto. Os três deram um grito assustado, enquanto o velho os mirava com desconfiança, e abrindo um meio sorriso banguela que deixava estampada a qualidade do seu plano odontológico.

- O que fazem no meio do mato, suas monstrinhos? – disse o velho, que decididamente não era brasileiro – esta na hora de jantar. – E essa criatura sabe o que é jantar?

- Nos assustamos com o grito... queríamos verificar! – disse Sinistro, morrendo de medo do velho.

- Ah, aquele? Foi minha esposa. Ela adorra assustar crianças tolas na noite.

- Muito engraçada a sua esposa! – disse Samara desaprovando a atitude displicente do velho. – Vamos meninos! – ela segurou os dois pelos braços e os puxou de volta para a rua.

- Desculpa! – gritou o velho quando os pirralhos chegaram próximos à esquina.

- Que velho estranho da gota! – disse Samara quando chegou à porta de casa olhando a cara amarela dos colegas. – VOCÊS NÃO VÃO VOLTAR LÁ! – ela entrou.

E eles voltaram lá. Deviam achar que aquele velho poderia ser um fantasma. “Minha mulher adora assustar crianças tolas” Isso é estranho... Encontraram o velho sentado numa cadeira de balanço na porta do bar fechado. Apenas uma luz acesa do lado de dentro.

- Por que ainda não forram comer suas pestinhas? Querem morrer como eu?

Os dois quase caem para trás, assustados. Mas esse velho só podia estar tirando onda com eles. O velho começou a rir arranhado, a risada dele era insuportável. Logo Sinistro e Osvaldo caíram na real, e olharam pro velho com cara de tédio.

- Vamos voltar Sinistro. – disse Osvaldo virando pra trás, o mesmo fez Sinistro, que logo voltou a olhar pro velho que não estava mais lá.

- Cadê o velho? – perguntou Sinistro, a sensação de trevas voltou, como aquele vovô conseguiria se mover com tanta velocidade e sem fazer o mínimo barulho. Depois que Osvaldo também percebeu que o velho não estava lá, os dois voltaram a mirar para frente e lá estava o ancião.

Sinistro e Osvaldo deram no pé! Foi a carreira mais segura que deram na vida... aquela coisa, só poderia ser um fantasma! Mas como? Os dois entraram na casa de Sinistro. Cleide estava lá com Beto.

- POR QUE VOLTOU ESSA HORA MENINO? TA FICANDO DOIDO É? – ela se levantou do sofá e correu pra porta, vendo a cara de horror dos dois garotos não demonstrou a mínima preocupação, ao invés disso perguntou: – VIRAM ASSOMBRAÇÃO FOI? VÁ TOMAR BANHO SINISTRO E VOCÊ COLEGA DO SINISTRO VÁ PRA CASA! – ela abriu a porta e expulsou o garoto.

Sinistro viu uma assombração, correu como nunca na vida, e depois de tomar banho e comer teve que lavar a louça. Beto fez questão de comer mais uma vez só pra ter mais louça pra Sinistro lavar.

Sinistro estava extremamente tenso, não parava de pensar no que viu. Mas apesar do susto, achou tudo aquilo muito legal, novo, excitante! Estava acontecendo como nos filmes...Quando foi dormir, já esperava por acordar no dia seguinte e comentar com Osvaldo tudo que viram e o amigo dizer que não houve nada e que ele era um louco que devia denunciar a vizinha por exploração do trabalho infantil.

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Ouvindo Portishead


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